Ekantika Consultoria
colinatech 03 jun. 2026 5 min de leitura

Expansão do open finance tem resultados concretos, apesar dos desafios

Expansão do open finance tem resultados concretos, apesar dos desafios

Consentimentos se apoiam em produtos com benefícios para instituições e seus clientes

Três anos após seu lançamento, o open
finance já mostra a que veio. A expansão do
número de consentimentos para
compartilhar dados cadastrais, financeiros e
transacionais, hoje se apoia em produtos
concretos, com benefícios para instituições
financeiras e usuários. Mesmo assim restam
desafios, entre eles a falta de acomodação
do segmento empresarial, a complexidade
da jornada de consentimento e a melhoria da qualidade dos dados. De
janeiro a julho, o número de consentimentos únicos passou de 27,5
milhões para 31 milhões, mais de 15% da população brasileira
bancarizada, enquanto por CNPJ o crescimento foi de 210,8 mil para
253,6 mil, perto de 1% das pessoas jurídicas do país, compara o
secretário-geral do Open Finance Brasil, Carlos Jorge.

O sistema, projetado para pessoas físicas, não atende necessidades
empresariais, como múltiplos responsáveis, alçadas e CNPJs. O Banco
Central afirma que solicitou diagnóstico sobre as demandas desse
público para avaliar a estratégia de avanços.


A infraestrutura descentralizada, com interfaces de software (APIs) para
comunicação direta de uma instituição a outra, é um dos motivos do
sucesso e sustenta perto de 2 bilhões de chamadas semanais. Com
mais informações transacionais no fluxo, o Índice de Maturidade do
Open Finance, da Capgemini, mostra a evolução dos objetivos de
negócios das instituições do ano passado para cá, com maior foco em
novas fontes de receita, crescimento e rentabilização da base de
clientes.

Agregadores inteligentes para gestão financeira, crédito, financiamento
e pagamentos atraem os correntistas. “Somos o maior país do mundo
em adesão e escopo”, diz Ivo Mósca, diretor de inovação, produtos e
serviços da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Neobanks e
fintechs buscaram consentimentos com mais energia, em razão de sua
natureza mais digital e perfil de clientes menos diversificado. Muitas
instituições tradicionais, por sua vez, dividem esforços entre a
integração interna de diferentes negócios e a externa, com
concorrentes, beneficiando-se de dados de públicos concentrados em
novatas, como jovens ou de bancarização mais recente.

Nubank e Mercado Pago são os maiores receptores e transmissores de
chamadas de APIs. Mais de 10% dos correntistas do Nubank já
compartilham dados externos. Seu agregador de contas, usado por 3,5
milhões de pessoas mensalmente, permite enxergar transações e
iniciar pagamentos com recursos de quaisquer contas.

O alerta de saldo negativo em cheque especial, com aviso de cobertura
por outras contas e oferta de crédito mais favorável, economizou R$ 8
milhões para 2,6 milhões de clientes. A transferência de recursos sem
sair do app do banco, usada por 750 mil pessoas, trouxe R$ 575
milhões para a instituição. Ofertas de investimento mais rentável e
cartão de crédito mais adequado ao perfil de portador estão em uso,
além de cadastro (onboarding) com base em dados do open. “Um dos
desafios para uso em tempo real é a limitação de pedidos por minuto
por instituição”, diz a general manager de open finance do Nubank,
Luciana Kairalla.

O foco do open finance

No Mercado Pago, 6 milhões dos mais de 52 milhões de usuários
aderiram ao sistema, que desde janeiro apoia 100% do crédito para
novos vendedores. A head de inovação Patricia Leal observa o desafio
da qualidade: embora com padrão definido para a transmissão, cada
instituição “nomeia” suas operações de uma forma particular, o que
demanda investimentos extras em tratamento para uso efetivo dos
dados.

Outro dificultador é a complexidade da jornada de consentimento, diz
Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs
(ABFintechs). Já o vice-presidente da Associação Brasileira das
Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo de Barros
Vieira, indica a concentração no Pix como instrumento de pagamentos.
“A inclusão de cartões dará possibilidades de mais alternativas para os
cidadãos”, avalia.

O PicPay oferece integração do Pix na carteira do Google (wallet), sem
necessidade de abrir o app, além do consolidador “Conta das contas”,
com transferência entre contas, Pix, investimentos e pagamentos de
boletos. Preenchimento automático de informações do Pix e validação
de cartões de crédito aceleram a experiência. O digital Efi Bank adotou
o Pix via open finance na tela do checkout de sites, apps ou plataformas de e-commerce, diz o diretor de produtos, Francisco
Carvalho.

Banco do Brasil e Santander
ilustram o segmento incumbente. No
BB, entre 43,5 milhões de correntistas, 2 milhões deram consentimento
e 40 mil aderiram à portabilidade de crédito, perto de R$ 1,4 bilhão.
Propostas com taxas assertivas em momentos adequados renderam
R$ 1 bilhão em crédito para 72,1 mil clientes, com desembolso de mais
R$ 3,4 bilhões em crédito para 11,7 mil empresas. Outros 45 mil
clientes aceitaram R$ 2,3 bilhões em propostas de investimentos,
enumera o executivo de open finance, Filipe Préve.

O Santander lidera os consentimentos únicos no segmento PJ: mais de
50 mil clientes, 53% acima do início do ano, além de 2,1 milhões de
clientes PF. O banco integra dados do open finance em atendimento e
comunicação digital. Um dos exemplos foi o lançamento do cartão
FREE, com identificação de mais de 1,5 milhão de correntistas que
poderiam deixar de pagar tarifas, diz Joice Almeida, head de open
finance do Santander Brasil.